sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Wannabe Matias
Era apenas mais uma tarde como todas as outras. O sol se punha no horizonte, deixando o céu com uma tonalidade rosada e impressionante. Ele entrou na lanchonete familiar, agradecendo mentalmente pelo calor que as pessoas reunidas, e, claro, um aquecedor proporcionava. Odiava aquele lugar. Passou mais uma noite inútil anotando pedidos de clientes que não conseguiam sentir-se satisfeitos com nenhum de seus esforços. Equilibrou diversos pratos coloridos e com um cheiro de abrir o apetite em uma bandeja de prata, vacilando algumas vezes ao transitar pelo espaço apertado. Aguentou em silêncio as reclamações infundadas do patrão amargurado. Sua esposa o havia deixado há pouco tempo, e por isso se sentia no direito de fazer da vida de todos os empregados um inferno, assim como a dele havia se tornado. Finalmente, sorriu como não havia sorrido ao longo de um dia inteiro quando olhou para o relógio de pulso e viu que era hora de ir. Feliz com a perspectiva de chegar em casa e descansar, sonhando com o que preferia ter feito daquele dia, recolheu suas coisas, retirou o avental. Pôs seus fones de ouvido, escolhendo uma batida nervosa que o ajudou a manter-se aquecido enquanto saia novamente para a rua fria e tomava o caminho de casa. Há apenas duas quadras de distância, logo deitaria em uma cama quente e confortável, esperando por um amanhã exatamente igual ao hoje e ao ontem. Abraçou-se, esfregando as mangas do casaco em seus braços, perdido em devaneios. Atravessou a rua despreocupadamente. Preto. De repente, não há mais amanhã. Nem sonhos. Nada.
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wannabe matias?
ResponderExcluirhuum, voê, escrevendo! (r)
"Preto. De repente, não há mais amanhã. Nem sonhos. Nada." que tenso ):
cara, as pessoas adoram destruir os finais que poderiam ser felizes, como assim? O_O eu gostei de ler karinete (r) quero mais! -q
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